"E se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti." (Friedrich Nietzsche)

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Deu um branco...

A folha está em branco
Não sei o que pensar
Daí me dá um tranco
Posso estar em qualquer lugar!

Posso ser uma vampira de mil anos
Posso ser um velho combatente
É só eu escrever, sem enganos.
E ser um tanto convincente

Posso ser uma borboleta num casulo
Posso ser o veneno que te mata
No seu ouvido um sussurro,
Na sua vida quem te idolatra

Mas posso ser cruel como a morte
E te pegar desprevenido...
Enquanto você achar que sou forte
Na verdade estou deprimido

Posso navegar por todos os mares
Conhecer todas as pessoas
Eu posso ser estes lugares
Eu posso ser essas pessoas!

Posso falar de fadas e magia
E até mesmo ser um sonho seu
Mas posso encerrar com a alegria
Quando a personagem for apenas eu...

Andarilha da Noite

Ando solitariamente na rua
Na calada da noite
Sinto-me livre e nua
Livre daquela foice

Livre do medo que carrego comigo
O medo de seguir em frente
O céu estrelado é meu único amigo
Na noite me sinto diferente

Sou noturna como um vampiro
Que pelo sangue fica sedento
Meu vício é o cigarro, amigo.
É com ele que me esquento

Não sou mulher e nem homem
Sou uma simples andarilha errante
Alguns fazem sexo, outros dormem.
Eu sigo meu caminho adiante

Olhando para esse céu estrelado
E essa lua cheia de presunções
Não sei quem acordará do meu lado
E nem se partirei corações

Sou uma cigana, sem roteiro.
Apenas continuo caminhando
Meu coração é forasteiro
É a noite que ele continua amando

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Ratos Soropositivos



Minha cabeça estourando com a dor
O cigarro antes fazia efeito
Sei que tudo parece que falo de amor
Mas isso não me parece direito

Eu vejo esses jovens bebendo,
Assim como eu, e fumando.
Mas sei que não estão percebendo
E sei que não estão se importando

Sexualmente ativos
Tecnologicamente preparados
Futuros soropositivos
Futuros cobaias como ratos

Adolescência é uma mutação
Eu sei como é difícil
Não me venha com essa de geração
Sua ignorância é perceptível.

Seus pais onde estão?
Suas mães controlam o que?
Ficam como o coração na mão,
Esperando vocês vendo TV?

Esse mundo está perdido, eu sei.
Fico preparada com o que vir
Mas não digam que não avisei
Quando tudo começar a ruir

O Deserto Que Me Abriga

Não pertenço a nenhum lugar
O meu destino não cabe na minha mão
Eu nem sei qual caminho tomar
Eu só coloco meus passos no chão

Meus cigarros são como areias nos dedos
Acabam sem antes eu perceber
Eu ando na noite, sem medos.
Eu nem tenho o que perder

Eu não procuro uma saída
Eu nem anseio pela chegada
É que sou meio distraída
Confundida com drogada

No espelho o que reflete são desejos
Não me vejo como sou
Espero facadas ao invés de beijos
Prefiro o ódio ao amor

Não sou pessimista, eu vejo o mundo.
Não espero carinho de quem me apedreja
Não sou como todos que querem tudo
Eu só quer cigarros e a minha cerveja

Todos dormem e estou aqui
Lutando pelos meus demônios
Talvez eu já esteja a dormir
E isso não se passa de um sonho

Entre Fumos e Estrelas

Vou ficar aqui te esperando
Vou me desgastar por inteiro
Vou continuar fumando
Até encher meu cinzeiro

Você pode até achar que não vale a pena
Mas eu vejo o brilho no seu olhar
Fica aí, com seu martírio, que te envenena.
Eu só espero a cerveja gelar

Posso até parecer cruel
Mas não ligo para as suas definições
Depois queimarei este papel
Para que não vejam minhas rimas e emoções

Sou uma mulher de culhões, me respeita.
Posso mata-lo só com um olhar
Não procure por esse amor que espreita
Não finja que possas me amar

Eu já sei todo nosso rumo
Sei onde isso vai dar
Mais um Whisky, e eu fumo
Mais uma cicatriz pra colecionar

Não ficarei aqui esperando pra sempre
Não sou dessas que desata a chorar
Se não puder abrir sua mente
Então nunca poderás me amar

sábado, 8 de outubro de 2011

Válvula de Escape

As pessoas são valorizadas pelo ter, e não pelo ser. Somos cada vez mais impulsionados a ser o que a TV, a Internet ou qualquer outro meio de comunicação nos vende como "padrão". Nem todos caem nessa ladainha, mas são poucos. "Nós", que vimos como esse mundo é filho de uma puta cruel, nos sentimos encurralados as vezes pelos nossos próprios amigos e parentes, que seguem esse padrão de vida e entram nesse sistema fodido, como se fosse a coisa correta a fazer. Se sou gorda? Se sou atéia? Se sou nerd de verdade? Quem se fode ferra sou eu, com minha mente que entra numa espiral. Isso porque é difícil se manter sã, devido a tanta coisa que se é dita para ser feita. E para esse gados que seguem seus peões a vida é simples. E eu é que complico quando abro minha mente e vejo que o mundo é um porra do caralho lixo?! Dizem que temos o livre arbítrio, cada um faz o que melhor lhe convier, desde que arque com as consequências, somos livres para buscar o nosso destino (aff). Então porque ninguém respeita quem vai contra suas opiniões? É uma pergunta sem resposta. Muitas vezes achamos que somos o que queremos ser, e logo em seguida vemos que simplesmente existimos, e não temos a menor possibilidade de ser o que realmente pretendiámos. Diante disso, procuramos por uma Válvula de Escape, uma desculpa, uma saída. Que pode ser visto como maléfico para nós mesmos ou para outras pessoas. E olha pra mim pra ver se eu ligo... Nesse mundo onde o que é bom hoje e amanhã já não serve mais, somos testados a todo momento e querem que nos reciclamos sempre. Mas como assim?! E se eu quiser ser uma velha turrona com apenas 20 e poucos anos? Posso, querida sociedade filha da puta?! Nós temos que ser heróis e vilões durante o dia a dia, e quando nos damos conta, a vida passou tão rápido, e quando olhamos bem vemos que fomos apenas mais um, não acrescentamos nada de bom ou de ruim. E daí se eu não quero escrever um livro, plantar uma árvore, e ter um filho?! Não posso plantar um livro, ter um livro e escrever um filho???